Vedações industriais
desde 1965.
A peça que só é notada quando falha, fabricada em São Paulo há sessenta anos.
Ver a peça por dentroOnde o retentor trabalha.
O eixo gira apoiado no rolamento, que fica preso no alojamento. O retentor fecha a saída, entre o eixo e o alojamento.
Ele segura o lubrificante do lado de dentro e a contaminação do lado de fora. Das quatro peças aqui, só o retentor é da Vedabrás; as outras três aparecem em representação genérica, porque é nelas que ele trabalha.
Quatro peças,
um conjunto.
Cada peça se afasta pelo próprio eixo, como numa vista explodida de catálogo.
Os nomes são nomes de peça de máquina, não catálogo da Vedabrás. O eixo é o pescoço do cilindro de laminação; o rolamento apoia o eixo; o alojamento é a caixa do mancal, que fica parada.
A peça que sai da fábrica.
Borracha e aço, com a mola e os lábios por dentro. Inteira, como chega na mão.
Daqui até o corte é fotografia: a mesma geometria, assada no Blender, com barras de luz de estúdio ao fundo.
Geometria genérica: proporções, perfil do lábio e medidas aguardam a equipe técnica da fábrica.
O aro de aço.
A carcaça metálica é o que prende o retentor no alojamento.
O acabamento é torneado: os riscos correm em volta do eixo e o brilho acompanha os riscos. É o que separa a parede de aço da borracha mesmo quando as duas refletem o mesmo fundo escuro.
O que encosta no eixo.
O lábio de vedação encosta no eixo, e só ele. A mola de garter mantém esse encosto quando a borracha cede com o tempo.
Atrás dele, o lábio guarda-pó barra a sujeira que vem de fora. São duas funções em faces opostas da mesma peça: segurar o que está dentro, barrar o que está fora.
A peça abrindo.
Metade removida. A seção é o que a engenharia lê, e é como o retentor aparece no catálogo.
De fora, um retentor é um anel preto. A diferença entre um que dura e um que vaza está toda nesta seção: a altura do lábio, o ângulo de cada face, onde a mola se apoia.
Como a engenharia vê.
A mesma peça, em linha sobre papel.
É a língua do Manual Prático de Vedação, as 548 páginas que a Vedabrás escreveu e distribuiu. Quem compra vedação lê desenho antes de ler texto.
Medidas que dependem
da fábrica.
d1 é o diâmetro do eixo, d2 o do alojamento e b a largura do retentor.
Os valores ficam em branco até a equipe técnica confirmar. Preferimos um campo vazio a um número plausível.
Vinte e duas especificações do catálogo estão nessa condição. Lista completa na folha de pendências.
Gire, clique, leia.
Arraste para girar a peça. Clique numa parte para ver o nome e o que ela faz.
A caixa de gaxeta.
Na máquina de Watt, em Kinneil, 1769, o cilindro ganha tampa e a haste passa por uma caixa de gaxeta.
A caixa de gaxeta já existia; a novidade foi levá-la ao vapor. Vedar é conter: impedir que duas coisas se misturem. Muito antes de 1965, a indústria já dependia disso.
O lábio com mola,
em couro.
Em 1928, uma patente americana descreve um anel de couro apertado contra o eixo por uma mola de garter.
Em 1932, na Alemanha, o couro ganha uma carcaça de chapa. O lábio ainda não é de borracha.
A borracha entra.
A borracha nitrílica surge na Alemanha em 1934 e, em 1936, já é anel de vedação.
O fluorelastômero chega em 1957, criado para vedar na indústria aeroespacial.
A Vedabrás entra nesta era, em 1965. O que ela vedava aguarda o cliente.
A cem metros
do chão.
Na turbina eólica, a cerca de cem metros do chão, o retentor do eixo principal existe em versão bipartida.
É para ser trocado lá em cima, sem descer o conjunto. Esta era não tem um ponto no mapa: deixou de ser um lugar onde algo aconteceu e virou uma condição de projeto, em toda parte. O princípio, esse, vem de 1928: um lábio flexível apertado contra o eixo por uma mola, num anel metálico. Mudaram o material e o desenho do lábio.
O que a Vedabrás veda nesta era aguarda o cliente.
Uma peça que só
é notada quando falha.
Sessenta anos fazendo a peça que ninguém vê. Se você chegou até aqui, provavelmente tem um eixo girando em algum lugar e um problema para resolver.